Se bastar é ser e sempre ser.
É querer os demais sem ser refém.
É olhar a noite e dela tirar um sorriso.
É sentir aconchego quando à margem está.
É querer e não precisar de...
Se bastar é ver o quê ainda falta mas não se desesperar.
É aconselhar quando ainda necessita experimentar.
É sorrir ainda que não os concebam sorrisos.
É não transparecer à primeira vista.
É pôr razão á frente do coração.
Se bastar é se auto aceitar.
É aprender a viver bem com o quê tem.
É acalmar os impulsos mas não os calar.
É saber expressar até a hora acreditada.
É ser plebeu em terras ricas.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Perdido no escuro contemporâneo
Desde quando as primeiras dúvidas se formaram,
colocando sob o fogo todos aqueles antigos laços
que despencavam como traços não paralelos de um retângulo.
E desde daquele verão que nada esquentava; daquela primavera
que germinava as mesmas flores; que não serviam mais
da beleza contida na cesta dos meus olhos....
Bipolares como o sol e o mar. Inconstante como a brisa.
Mas para onde eu deveria fugir nessa casa sem rastro;
de pernas pro ar; sem entrada nem saída?
Estátuas de areia que não duram mais que dez minutos cada;
como um viajante que aterriza em vários lugares, mas não descobre nenhum.
Em algum lugar nos meus neurônios formulo as rotas a seguir;
sem deixar cair a razão que sustenta a minha fala.
A minha briga de interpretações, como a teoria e a prática,
se acerra cada vez que as horas passam e não somam nada;
só poeira.
colocando sob o fogo todos aqueles antigos laços
que despencavam como traços não paralelos de um retângulo.
E desde daquele verão que nada esquentava; daquela primavera
que germinava as mesmas flores; que não serviam mais
da beleza contida na cesta dos meus olhos....
Bipolares como o sol e o mar. Inconstante como a brisa.
Mas para onde eu deveria fugir nessa casa sem rastro;
de pernas pro ar; sem entrada nem saída?
Estátuas de areia que não duram mais que dez minutos cada;
como um viajante que aterriza em vários lugares, mas não descobre nenhum.
Em algum lugar nos meus neurônios formulo as rotas a seguir;
sem deixar cair a razão que sustenta a minha fala.
A minha briga de interpretações, como a teoria e a prática,
se acerra cada vez que as horas passam e não somam nada;
só poeira.
sábado, 20 de outubro de 2012
Ensaio sobre a atualidade.
Quantas vezes já ouvimos que a juventude muda o mundo pela
sua característica inquieta, transformadora, idealizadora e questionadora? Por
ser formadora de opinião, por vezes intrusa. Às vezes ainda, a água que racha o
concreto de uma sociedade. Não devemos então questionar sua força potencial,
pois já estudamos em história suas comprovações empíricas.
Ainda que saibamos da sua capacidade, quando visualizamos
nos tempos atuais tais características, não enxergamos. Vemos neblina,
contradição. Ora, cadê essa força escondida? Por que ela não aparece?
Podemos constatar tal fato em várias vertentes, inclusive na
política. Porém, não entrarei nesse mérito pois é opcional a escolha de cada
cidadão, portanto que haja coerência de opinião. Gostaria de chamar atenção
quanto a música. O que você acha sobre a música que se produz hoje em dia?
Quantas vezes já ouviu que a qualidade musical atual é ruim? Será que há
relação com características da sociedade atual?
Saudamos os anos 80 por toda sua qualidade musical, poder de
questionamento, de criação de opinião e de não aceitação com o que nos é posto
goela abaixo. Nessa época Renato Russo perguntava: ‘Que país é esse?’, Humberto
Gessinger também indagava: ‘Quem são eles? Quem eles pensam que são?’, entre
outros. Havia, nos jovens, paixão para mudar o que não concordavam. Havia uma
indução musical para isso. Haviam artistas, de fato.
Os jovens tinham poder e energia de sobra pra protestar.
Além dos motivos claros de um governo que tratava/trata com descaso tantas
coisas, só se estudava. Podia-se dar ao luxo de sair de casa, ir numa passeata
protestar, ou dizer nas músicas o que queriam dizer, pois não deviam favor à
ninguém e só dependiam de si próprio.
Hoje as músicas não dizem nada. Contam as histórias comuns
de qualquer um que sai do quarto e tem uma dor de cotovelo, ou se apaixonam.
Não satisfeito com tamanha mediocridade, há pior tipo: as músicas que induzem
as pessoas a serem vagabundas (no sentindo de desleixadas, não trabalhar, não
querer nada com nada), de transarem com todos sem o mínimo cuidado ou respeito,
enfim.
O reflexo se encontra na sociedade. Se encontra no que faz
sucesso, o funk, por exemplo. Ele e suas letras altamente nocivas. Não tenho
nada contra o funk, mas suas letras, em grande maioria, são nocivas e
medíocres, sim. Quantos jovens, adolescentes, se vêem hoje em dia com filho pra
criar? Quantos têm que ralar dobrado pra compensar tamanho desleixo passado?
Não é à toa que o funk hoje em dia é um sucesso. Não é à toa
sua defesa pela mídia, pelos tomadores de opinião. Não que não deva ser apoiado
por ser um movimento cultural, no qual é uma maneira de expressão de pessoas
mais humildes, mas pelo que ele REALMENTE INFLUENCIA.
Quando se percebeu a vantagem que o funk poderia trazer para
a sociedade, vista pela ótica dos poucos que tomam opinião, que não querem ser
perturbados, começou-se a valorizar o que até então era discriminado. O quão
questionador, revolucionário, como prefira, pode ser um cidadão que tem filho
pequeno pra criar, ou que mal tem tempo de descansar quando sai do trabalho?
A sociedade se torna cada vez mais fácil de se conduzir pela
ótica dos governantes. Os jovens que deveriam ser a força, não têm mais tal
força, por estarem sendo, cada vez mais, induzidos a terem mais
responsabilidades do que deveriam ter, proporcionalmente a sua idade.
Faz sentido, não faz? Pode parecer teoria da conspiração,
mas não se engane. De simples não há nada nesse emaranhado de artimanhas. Pelo
poder, vale tudo. Ao menos para eles. Afinal, que mal há se não enxergam o que
se passa? Fica assim, o dito pelo não dito e vida que segue. O abismo é logo
ali...
domingo, 7 de outubro de 2012
Lamento 50 vezes...
Hoje dormiram tranquilos, debruçados sobre um punhal.
Hoje acolheram grandes planos que não passam por eles.
Hoje houve resistência, que de tão pequena virou uma tendência.
Hoje se comprovou a amargura dos invejosos para com nosso brilho nos olhos.
Hoje se calou uma moda, que de tão pura foi atirada na lama.
Coisa insana que fizeram com nossas tardes sonhadoras.
Hoje me aprisionaram onde eu mais temia.
Hoje me fizeram bater palmas quando a vontade era de fugir.
Hoje foi a típica derrota que traz bons ventos a guerra que travamos.
Sinto o cheiro dos frutos no ar. Demore o quanto durar.
Hoje acolheram grandes planos que não passam por eles.
Hoje houve resistência, que de tão pequena virou uma tendência.
Hoje se comprovou a amargura dos invejosos para com nosso brilho nos olhos.
Hoje se calou uma moda, que de tão pura foi atirada na lama.
Coisa insana que fizeram com nossas tardes sonhadoras.
Hoje me aprisionaram onde eu mais temia.
Hoje me fizeram bater palmas quando a vontade era de fugir.
Hoje foi a típica derrota que traz bons ventos a guerra que travamos.
Sinto o cheiro dos frutos no ar. Demore o quanto durar.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Juventude indesejada
"Opinião de menina são como as nuvens.
Figuram no céu durante alguns dias e
logo se vão, do dia pra noite, como chuva de verão.
Opinião de menina são como os doces.
Enchem a barriga à primeira vista,
mas à segunda, inflam a fome.
Ventos de ventania, ventos de brisa.
Apenas ventos.
Brincam de palavras como quem brinca nos parques.
Jogam com os fantoches que as cercam,
numa busca incessante pelos elogios que julgam precisar.
Enganam, se enganam e constroem, tijolo por tijolo,
a carapaça de menina inseguramente fútil de que tanto buscam.
Vivem nos contos de fada buscando seus príncipes,
apesar de afirmarem só haver sapos. Mas, cadê a princesa?
Quem que acredita em sorrisos forçados de fotos?
Quem que acredita em mensagens impulsivas?
Quem que enxerga algum futuro pra isso?
Quem que vive algum presente nessa neblina?
Esbalda juventude quem assim age.
Esbalda juventude quem assim bate palmas.
Esbalda juventude quem nisso se apega.
Seu ego é sua queda."
Danilo R.
Figuram no céu durante alguns dias e
logo se vão, do dia pra noite, como chuva de verão.
Opinião de menina são como os doces.
Enchem a barriga à primeira vista,
mas à segunda, inflam a fome.
Ventos de ventania, ventos de brisa.
Apenas ventos.
Brincam de palavras como quem brinca nos parques.
Jogam com os fantoches que as cercam,
numa busca incessante pelos elogios que julgam precisar.
Enganam, se enganam e constroem, tijolo por tijolo,
a carapaça de menina inseguramente fútil de que tanto buscam.
Vivem nos contos de fada buscando seus príncipes,
apesar de afirmarem só haver sapos. Mas, cadê a princesa?
Quem que acredita em sorrisos forçados de fotos?
Quem que acredita em mensagens impulsivas?
Quem que enxerga algum futuro pra isso?
Quem que vive algum presente nessa neblina?
Esbalda juventude quem assim age.
Esbalda juventude quem assim bate palmas.
Esbalda juventude quem nisso se apega.
Seu ego é sua queda."
Danilo R.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Bonecas não sabem o que querem
Sempre atrasada; Oh, menina!
Eu não posso te esperar por semanas.O sol não se atrasa pra despertar,
ainda que grande parte não esteja preparada.
Não caia nos contos do seu ciclo próximo;
não sufoques o que alimentaste em nós,
por mera vanglória dos demais.
Gritos sempre se ouvirão,
mas seu coração grita mais alto.
Seus olhos enfeitam o espetáculo da visão,
mas não os deixe te ofuscar.
Sorria-me como convite de menina,
me encantes com a segurança de mulher.
Eu te encontro se deixar-me te encontrar.
sábado, 11 de agosto de 2012
O amor é uma fuga!
O que é o amor pra você? Deixe-me melhor questioná-lo: o porquê do
amor?
Hoje estive ao lado de um amigo, Daniel Muzitano, confabulando
acerca das nossas dúvidas. Conseguimos formular frases, uma conclusão, mas
nenhuma solução.
Ainda sob o som do meu violão e do gritar das crianças que
enfeitavam o lugar, nossas dúvidas só poderiam nos levar a um lugar: o nada.
Não quero me pôr na altura nem me opor à tantos outros pensadores históricos,
mas, como eles, nossa conclusão foi decepcionante. A luz no fim do túnel é
preta, não branca. Não há nada.
Nossas falhas tentativas de teorias que mudassem nossa selvageria;
nosso instinto bicho que tantas vezes aflora e apenas enaltece as falhas de uma
sociedade esteticamente eficaz e correta. Bichos pensantes que somos, não
conseguimos chegar à uma explicação correta sobre o porquê de sermos assim; ou
à uma solução que nos rapte de tantas contradições.
Você deve estar se perguntando: mas onde entra o amor nessa
história? Pois bem. Nós, seres pensantes, não como todos os humanos, sempre
tentamos desvendar esses mistérios de nossa natureza. Até os mais filósofos de
nossa espécie sempre fracassaram e enalteceram algum vício para compensar
tamanha frustração. Seja a bebida, o fumo, o sexo...
O amor entra nessa história como lugar ideal para se abrigar em
meio ao emaranhado de dúvidas no qual estamos rodeados. O amor é uma fuga. O
amor é nossa fuga.
Há, decerto, aqueles os quais nada questionam e, portanto, não
sentem tal falta de concretude na vida, de fato. E, evidentemente, é o caminho
mais curto e prático para não se preocupar e apenas "viver". Pois
bem, nós que assim não somos, e que teimosa dúvida como fiel balança de
tentativa de conhecimento, não alcançamos nossas expectativas sobre a vida;
esbarramos sempre na dúvida ou na sua direção: o nada. Nada sabemos ao certo,
somente sabemos como nos consolar nessas condições. Esse consolo tem por nome
amor. Esse é o papel do amor: confortar nosso coração e mente, angustiados pela
falta de explicação; tornar o outro seu real objetivo, de forma a fazer com
que, agora, saibamos como nos postar, o que esperar. Agora temos nossa
concretude. O amor é a fuga dos pensadores descrentes, que acham em outra
pessoa uma forma de viver na qual se visualiza um real sentido à nossa
compreensão.
Muitos diriam coisas lindas do amor, querendo afastar sua
verdadeira essência e papel; tapando o sol com uma peneira, querendo, como no
caso acima explicitado, ser alguém com poucos questionamentos e, por
conseguinte, alguém muito mais despreocupado. Respeito esse método de viver,
afinal, a maioria é. Ainda que me preocupe...
Vivendo pelo amor, por alguém que julga amar, sua vida fará
sentido. Do contrário, qual é o sentido da vida? Muitos me diriam procriar.
Porém, julgo que se fosse apenas por isso, seria preciso muito menos tempo.
Outros poderiam me dizer que tal objetivo é ser feliz. Pois bem, o que é ser
feliz? Aliás, como ser verdadeiramente feliz, se não se visualiza solução para
essa falta de respostas?
Chego à uma única solução: fujamos! Ame, viva pelo
amor de quem julgue amar; é a única maneira de se sentir realmente realizado
nessa vida sem explicação.
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